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10.8.11

a MeNinA dO bATOm

Numa hipermetropia hierático-macabra e constante
teimas em afundar a espada num olhar que pretendes fremente,
penetrante,
genial,
para lá da biosfera psíquica!

Na vida que te rodeia és glacial, ausente,
não provaste ainda o sabor da terra,
nem lhe lançaste a germinante semente,

não choraste a lágrima pura de amante,
nem percebeste que a gentil menina
só quis iluminar-te a mente
quando longe da praia subiu a saia
e te mostrou o joelho lindo
num sorriso vermelho de batom!

Ah!...
Poeta é mais quem vive e sente,
num beijo quente, a lama debaixo dos pés
mesmo de botas calçadas.


Oh!...
Como a melodia primaveril choca na tua hipacusia
de cu para o sol,
qual noite em manto preto envolta,
ignorando o dia,
odiando o dedilhar da harpa aurorescente ...


O macaco ergue-se na longa planície sideral,
amargo e pálido como uma montanha de sal,
orgulhoso da nave que o transporta,
no peito uma caverna, uma árvore morta

para trás ficou a porta escancarada
mostrando um abutre aquecendo-se na lareira nuclear.


Bípede onicófago entornas o caldo de elementos psíquicos
pelo Universo da tua Necedade,
Dispersas o ego numa ânsia de te libertares da emoção!

Abres os dedos e mergulha-los no ventre cósmico da imaginação,
numa ausência total de paixão.
Furacão de incertezas,
assassinas o que te resta de bom!

Pára!...
Só um minuto apenas
e olha o brilho das estrelas
nos olhos da menina do batom!

Oh!...
teimas em arranhar a abóbada nuclear
em busca de argila que não te fecunda a mão,
é a autofobia que te move, consome

e faz crescer o vácuo no teu pântano espiritual
cultivando uma ceara de frustrações
em embrião...
Abortas!


O robot sorri-te metálico,
programado,
insípido
e aponta uma nova estrela cadente
sendo devorada pelo buraco negro da tua mente,
tal como tu, não conseguiu a velocidade de libertação.

Tudo em vão...

É demasiado tarde,
a chama do amor já em ti não arde
e tu já não habitas o invólucro inócuo da tua carne...

Tudo inútil!

A menina já deixou secar a flor púrpura
do batom
por falta de beijos!

Despiu, sem desejos, a saia
e... Oh!?...
Atirou-a ao mar...


E afasta-se

na areia nefasta e negra da praia

soluçando...


reflectindo a sua nua imagem
num céu viscoso e cinzento,
em última viagem!...


87.12.25

3 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Imagens magnéticas
nesta viagem
quase delirante.

Folhetim Cultural disse...

Convido hoje você a conhecer este blog.
O Folhetim Cultural a cada dia crescendo. Agora temos espaço para contos, poesias, crônicas, charges e muitas outras coisas que espero que goste.


Blog: informativofolhetimcultural.blogspot.com
E-mail: folhetimcultural@hotmail.com
o Blog agora tem até twitter: twitter.com/folhetimcultura ou @folhetimcultura


Espero por ti abraços!

Ass: Magno Oliveira

Anônimo disse...

SSSSSSSSSSSSSSeara. imagens forçadas. Leia muito e tente escrever rente como Eugénio de Andrade. Deixe o escrever difícil (e com conteúdo notável), por exemplo para o Sena ou diferentemente, para o Herberto Helder.