O que seria de nós sem um olhar vindo dessa dimensão a que chamamos poesia?
27.5.07
Uma esmolinha, Por favor!
monótono, só, cansado e vago,
fito a cerveja na mesa,
procurando beleza
na espuma, no tom dourado.
a tempestade
rasgou-me o pano,
quebrou-me o mastro
e arrasto-me
à deriva no oceano
tentando manter-me à tona
entre dois azuis que se tocam
e me sufocam
no horizonte distante,
sempre distante e ausente!
audaz e apressado,
altivo na fronte
!!!... capitão
ao leme da embarcação
por entre os escolhos,
bandeja na mão
Aqui está o galão!
sorri a moça dos lindos olhos.
Uma bica se faz favor!
pede o gordo ali do canto.
Uma esmolinha!
surge a menina,
voz fina,
oculto o pranto,
figura sumida,
descalça, desgrenhada
entre os copos, mão estendida
nascida já depenada, garota,
gaivota perdeu o céu, não voa,
mendigo em ruas de lisboa
Dê-me uma esmolinha!
fita-me.
sinto compaixão,
abro a boca e...
sai-me um Não!
que ela parece não sentir,
vira-se, dá um passo em frente
e...
salta num grito de dor abafado,
a gemer
por se ter queimado
na beata, no chão, ainda a arder.
e eu, sem querer,
desato a ponta de uma gargalhada.
ela não dá por nada,
inocente,
primavera murcha em flor
vai pedindo a toda a gente
Uma esmolinha, Por favor!
830305
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário